Será que brocha?
Nunca fui muito adepto a adquirir este tipo de produto, mas passando por uma das milhares de revistarias em que entro para procurar uma salvação mensal me deparei com a Playboy de Bárbara Borges, e percebi em uma breve análise que havia algo diferente: : clean demais, bonita demais, delicada demais, sensualidade eufêmica é a definição. Talvez venda, talvez não mas é realmente uma das capas mais lindas publicadas até hoje. Quem sabe não é a consciência que está mudando e faz os homens funcionais finalmente perceberem que a vulgaridade excessiva já passou do limite há séculos e que hoje algo assim suave é muito mais comercial e aceitável.
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Tiê e Mariana Aydar = decência musical
Saiu o novo clipe da Tiê, a música escolhida dessa vez foi aula de francês presente no disco da moça citado antes em outro post. Como sempre a arte subjetiva e a sensibilidade absurda estão presente na produção assim como no video da também excelentíssima Mariana Aydar, que possui um som suave no embalo de suas formas homem-mulher que deixam um ar de contraste entre a força e aspereza feminina no fabuloso Deserto de Sal. Valem pelo menos um play.
Diferenças que fazem diferença
No meu passear pelo mundo publicitário e por algumas agências, encontrei posicionamentos diferenciados com relação a todos esse universo. Geralmente dentro desse âmbito encontramos nas marcas vertentes criativas voltadas a seriedade e comprometimento, deixando os espasmos lúdicos distantes e as vezes presentes em pequenas doses, mas nos casos a seguir a história é bem outra:
Agência de comunicação e marketing , traz no layout do site elementos circenses que convergem com a música de fundo e separa seus trabalhos, equipes e afins com nomes também convergentes a temática central….encantador e eficiente!
Também agência de comunicação e marketing possue elementos típicos do segmento, mas se sobressai por sua forma retórica de expressar eficiência e promessas comerciais, além ter adotado uma temática que se torna homogênia e incrivelmente singular se levarmos em conta todo o conjunto que compõe o site “a la África”
Como será tudo isso na prática?
Desconhecida que eu conheço
Tantas gratas surpresas fonográficas me aparecem diariamente e me fazem crer que nem só de maiô de paetês e domadoras de circo sem embasamento viveremos. Conheci Rayana Toledo através de arquivos mp3 soltos que voavam e se difundiam na agência em que trabalhei, desde lá não passo um só dia sem ouvir qualquer uma das três belas canções sussurradas pela moça para os desorientados seres desse mundo. Ainda não consigo ligar a voz a pessoa e quando a vejo pessoalmente passeando pelos corredores acadêmicos nem me dou conta de que cumprimento a moça que me canta pelas manhãs…uma passada por seu myspace é obrigatória e a presença nos seus próximos pocket shows também, como o que acontece terça feira (08/09/2009) na apresentação da Dogma Agência Experimental.
Não sou muito adepto a acelerar as coisas, prefiro tudo muito devagar e de forma delicada, mas as novidades que mais importam de hoje merecem apenas breves comentários
Comercial “Não a Homofobia”
A pouco tempo está sendo vinculado o comercial abaixo na TV aberta (até agora só vi na MTV pq será?) e eu realmente achei uma idéia brilhante. Não costumo vestir a camisa de questões polêmicas, para evitar me posicionar em grupos onde nem todos sabem o significado do que defendem, mas preconceito em qualquer situação é um sentimento dos pobres de espirito e que em sua maioria precisam de incetivos para enxergar a realidade que se forma, logo o video é extremamente válido. A responsável pela produção do video é a Giacometti
O que mais importa mesmo Woody?
Scarllet Johansson lançou a pouco tempo um releitura das canções de Tom Waits com o cd Anywhere I Lay My Head, que por sinal é brilhante, sincero e nem de longe ressalta o que as porcarias fonográficas atuais nos obrigam a consumir. Agora em parceria com Pete Yorn, chega o clipe da música Relator que já estava disponível no site oficial do albúm Brak Up do qual faz parte. O primeiro video de Scarllet, feito para a música Falling Down, é sem dúvida melhor que este, mas vale a pena pelo som que dá uma impressão de eterno começo que se mistura a um embaçar levemente colorido pelo tom sépia.
Bom, começa aqui uma grande reflexão sobre um dos fatores mais importantes na minha vivência no último mês: o impacto real da mídia e agregados em nossas loucas mentes. Depois de alguns estudos sobre as teorias da comunicação que decorrem desde de muito tempo, reforçadas pela “Tia Penha” em sala de aula (o video ajuda a entender a analogia carinhosa por sinal), concebi uma percepção que até hoje não distingui se foi meu bem ou mal eterno.
No decorrer dos posts colocarei em pauta detalhes sobre as teorias e toda a aplicabilidade delas dentro do dia a dia, basicamente absorvi do todo a critica estabelecida para afundar de vez a ilusão causada pela tv, música e todo produto cultural feito de forma mecanizada e com uma qualidade duvidosa, mas que passa por nossos receptores naturais despercebida. Quantas vezes não se ouve uma música de um de seus prediletos interpretes e na primeira identificação, aquele som soa ruim e de extremo mal gosto, ou naquela cena da magnifica novela das 8, onde a esposa mata o marido que transou com a empregada que as vezes fazia pole dance no clube da esquina, o acumulado de absurdos é tido por todos como um simples complemento da sua própria ausência de felicidade? Existe um patamar em que tudo isso se encaixa, é o nivel onde está nossa mente e nossas emoções, seu corpo vive, mas seus pensamentos, reflexões (quando elas existem) e todo o subconsciente se prende a uma realidade inventada e descaradamente enfiada diariamente garganta abaixo como pilulas dosadas cuidadosamente. E junto a tudo isso, impregnado a tudo isso, milhões de estereótipos que geram preconceitos vem caminhando em nossa direção, como grandes relogios de hipnose.
A busca pela perfeição do corpo, o poder aquisitvo que dá vazão a compras excessivas e desnecessárias com o objetivo que preencher lacunas que não o pertencem, a exposição desmetida que valoriza o ego e se concentra no umbigo dos egoístas, são exemplos fieis aos efeitos da droga midiática. A insegurança causada pelos meios em que vivemos traz uma eterna insastifação dentro de todo ser, que deveria causar revolta e busca por melhora, mas acarreta como todo coadjuvante do medo a estagnação e recuo a uma vida condicionada, que claro não oferece risco para seus objetivos bem delineados por seus modelos de plásticos, exaltados e bem colocados no programa dominical. Me perco quando falo dessa complexa teia podre em que nos envolvemos constantemente, pq as vertentes nela existentes são infinitas, mas nesse primeiro momento deixarei as palavras de iniciação reflexiva deixadas acima e uma pergunta para que vocês se façam até o próximo post que será mais claro e objetivo: você realmente existe como existe quem você vê na tv? ou você apenas escuta o que escuta quem canta algo para você no rádio? Até breve baixinhos.

O escandâlo da midia e o desespero do povo tem a mesma relevância que a sátira do cartaz acima. Depois de algumas referências que li na rede percebi que lidamos diariamente com a Aids que atinge um número muito maior que todos os casos de óbito por gripe suína, e o mais engraçado é que não vejo pessoas se preocuparem em usar camisinha como se preocupam em usar máscaras compradas em farmácias de esquina. A calma e as precauções contra o vírus são essenciais, mas a desordem e o caos nesse mundo está apenas começando, então vamos nos acalmar. (Baseado em outros textos sobre a a atual crise)
Comece aqui vendo o video acima antes de ler o que tenho a te dizer, por que a arte novamente não consegue se fazer valer nas meras palavras de um apreciador, é necessário o suporte do que enxerga você.
Matheus Souza com seus 20 anos bem vividos, escreveu um roteiro e com os recursos minimos reunidos e a cooperação de Érika Mader junto a todo uma pequena grande equipe, mostra através do seu olhar de uma madura direção, o novo começo para o cinema brasileiro. Muitas críticas atuais comparam o filme com outras produções estrangeiras, a história da garota que está indo embora sem dizer para onde, namorado que ainda não cresceu e que tem apenas uma hora para entender o fim ou o que quer que seja o presente ocorrido entre os dois. Uma camêra estatíca foca os longos diálogos entre o casal e em diversas vezes sentado na dura cadeira dos cinemas alternativos, você como espectador vai se sentir um intruso da vida alheia, mas ao mesmo tempo se identificará com os ícones de desenhos animados, filmes, Tv e afins citados pela eterna criaça que vive dentro do moço que está sendo abandonado.
A naturalidade da atuação dos jovens atores colabora muito para que todo o contexto se torne homogênio, efeitos como divisão de tela, tons de PeB em flashbacks, distorção de áudio e vídeo tornam a despedida mais dramática do que ela soa no todo e poderiam ser clichês em qualquer longa, mas nesse aqui são elementos cruciais para o desenvolver dos sentimentos gerados na película. A direção de Matheus não têm grandes variáveis, até pela limitação técnica presente, mas cenas como o diálogo em uma escada onde a câmera é colocada acima das personagens e o passar num breve traveling atrás das pilastras em uma cena colorida que remete ao incosciente do namorado, mostram o caminho certo.
Com referências pop sim, coisa que muitos por ai tem usado como desculpa para massacrar a produção, esse grande espetáculo se faz perante os olhos de qualquer estranho de forma singela, simples e inacreditável. Vale a ida no cinema, a compra da pipoca e o beijinho no rosto do colega do banco ao lado quando os Los Hermanos destroem, o que ainda sobra da sua resistência em assumir a boa qualidade de um destaque como esse dentre tanto mal gosto brasileiro, que seu eu fosse você não veria nem se fosse uma mulher invísivel, se é que você me entende.

Dentre todo o conflito em que me encontro desde de que percebi o verdadeiro significado de toda essa farsa cultural em que nos afundamos diariamente, busquei por algo que me fizesse sentir de novo, música sem peso comercial, sem refrões escandalosos apoiados em maiõs brilhantes e sapatos de salto quadrado, eu queria a bailarina do circo, por que tinha me cansado de ser o palhaço e eis que me surge essa moça.
Levando aos ouvidos um misto de MPB, Folk e palavras de outra lingua, andei sobre Sweet Jardim, cd de estréia dessa voz inexistente e intocável, e me deparei com o som que vem de um lugar que o homem ainda não consegue imaginar. Aos 29 anos, Tiê como todas as verdades fonográficas que realmente importam, faz discretos shows entre SP e Rio de Janeiro. Começou sua carreira na capa das “revistas sensação” Capricho, Querida e logo interrompeu seu próximo passo, onde participava de uma turnê de Toquinho, para tratar da saúde que poderia lhe tirar a vida. Falso rumor que exigiu uma pausa e sugeriu a bela criar ausência do amor em composições que variam do doce ao desespero.
Há uma linha tênue no decorrer sonoro de todo o álbum, começamos com “Assinado Eu” que faz doer fundo com palavras que se encaixam em milhares de lacunas pessoais de qualquer ser vivo, passamos para “Dois” que conta o amor clichê mas deslumbrante, chegamos vagando por mais umas semelhanças ao “Chá Verde” que possui ecos e vozes de um magnifico sexteto que identificamos no vazio dentro de nós mesmos e finalmente temos a surpresa extasiante do fim, “Sweet Jardim” destoa por completo de sua antecessora “A bailarina e o Astrounauta” mas traz um tom brasileiro conhecido da periferia as fogueiras sociais, é um explêndido fechar de portas que conta com a participação especial daquele que antes ela só acompanhava.
Não ser literal na análise de uma obra dentro de um texto é impossível, mas mesmo que eu quisesse, os sentimentos gerados por esse desvio de caminho intrumental feito por esta jovem menina não cabe em nenhuma expressão, ouvir é melhor que ler, é melhor que contar. No meio de tantas batidas, luz e fumaça encontre um tempo para se deitar na terra, olhar as folhas do pé de laranja lima logo ali no terreno vago e deixar se levar pelo som que acalma o coração e engradece a reflexão.
Video “Assinado Eu”
Outro sons que importam:
Eu preciso começar de alguma forma, mostrar por que vim, apresentar o que veio junto de mim e tentar enfim descrever o que pretendo escrever. Sonho cristalino era vivência constante aqui dentro do peito, mas tudo acaba de acabar.
Não posso reclamar da Penha (simbolo educacional que me fez enxergar) e dizer que não sou grato por não estar em transição: indústria cultural, produto cultural, máquina mortífera de massacre mental, mentira que evolui em polegada. O que serei daqui a alguns anos? O que vou vender em dias? O espelho reflete subproduto ou essência? Bendito oficio que levanta questões sobre minha certeza de ser e o rosa choque que desbotou-se perante o alvejante do destino: o que mais importa para mim dentre toda essa farsa? É verdade líquida de compartilhar. Logo penso: O que mais importa? Essa divisão é complexa, mas você por viver no eterno replay já devia saber, que é agora na última parte que tudo fica claro e o clichê se faz como a luz um dia se fez.
Cedendo ao comum inevitável mostro de forma racional o que quero fazer. Um blog, um convidado quado possível logo ali na segunda página escrevendo sobre o que não sei, fato é aquilo que se eleva e é o que vou discursar e sinceramente poderia continuar a seguir a regra culta do português, mas se nem acento temos mais que diferença faz? Se sente confuso depois de tudo isso ler, a culpa é da Maria que quis fazer graça. De qualquer forma bem vindo ao meu picadeiro onde o palhaço é quem não entende o que vê. Divirta-se.



